Nasci em 1968, e naquela época que se amarrava motocicleta com linguiça, embora o regime militar fosse rígido, era um tempo de tolerância absurda em algumas áreas, e o motociclismo era uma delas. Muitas leis eram tão “opcionais”, que tem gente que até hoje não sabe que existiam.

O uso do capacete, por exemplo, tem "amigón" que acha que era opcional (não, não era), porém, ninguém se preocupava muito com isso. Mas onde eu quero chegar é nas leis que regulavam a garupa para crianças. Meu pai, motociclista velho de guerra, sempre teve moto nas décadas de 1970 e 1980, e era comum acordarmos no sábado cedo e irmos dar uma “rodada”. Às vezes, para desespero de minha mãe, rolavam até pequenas viagens. Naquela época as coisas eram bem diferentes, pois ele me colocava montado no tanque da moto (geralmente de alta cilindrada) e íamos rodar, sem capacete.

Eu, com uns seis anos de idade, ia montado naquela sela de metal me sentindo o ator Leonardo DiCaprio na proa do Titanic. Eu era o rei do mundo! Irresponsabilidade? Talvez, mas era o “status quo” daqueles tempos de liberalidades questionáveis. Tempo vai, tempo vem, as coisas foram se “tornando” acertadamente obrigatórias, e hoje tudo é mais rigoroso e seguro. E o melhor é que atualmente as regras e as leis são seguidas.

Levar os filhos na moto exige cuidados; a foto ilustra bem como não fazer...

Crianças são os motociclistas do futuro, e bons exemplos e práticas são sempre importantes desde pequenino, portanto, o tio aqui vai colocar algumas dicas que fazem o passeio do júnior ficar agradável e seguro a bordo da sua moto: 

• Nunca carregue o pequeno na sua frente, diferente de como fazia, na década de 1970, o progenitor de quem vos escreve;
• Tenha certeza que o júnior vá usar os mesmos itens de segurança que qualquer outro piloto, mas especialmente capacete e proteção para os olhos;
• Faça passeios rápidos e divertidos. Crianças são seres que se entediam facilmente e caem no sono, o que não é divertido sobre duas rodas;
• Se possível, use um sissy bar para que o pequeno possa ficar mais protegido;
• Faça paradas para se divertirem e tirar fotos;
• Não seja estúpido, correndo demais ou fazendo curvas deitadas e paradas bruscas. Com isso, você terá um futuro adolescente com “motofobia”;
• Tenha certeza que o jovenzinho é maduro o suficiente para entender e obedecer às suas instruções. Além disso, ele deve conseguir alcançar as pedaleiras (já vi no exterior extensores de pedaleiras para crianças). Ele também deve conseguir abraçar você firmemente e com segurança.

Fora isso, é só acordar cedo, para que o sol não castigue muito nenhum dos dois, e ir para o asfalto. Certamente passeios de moto serão extremamente recompensadores e iniciarão seus filhos sob os nobres valores do motociclismo: respeito, camaradagem, confiança e muita amizade. Keep riding!

Nota do editor 
Vale lembrar o que a legislação brasileira diz sobre o assunto, no artigo 244, inciso V:

"Art. 244. Conduzir motocicleta, motoneta e ciclomotor:
V - transportando criança menor de sete anos ou que não tenha, nas circunstâncias, condições de cuidar de sua própria segurança:
Infração - gravíssima;
Penalidade - multa e suspensão do direito de dirigir;
Medida administrativa - Recolhimento do documento de habilitação"